O futuro da carreira de desenvolvedor

sábado, 19 de outubro de 2013

Conhecedores das soluções atuais pouco (ou quase nada) terão valor sem aprender as novas tecnologias que estão batendo à porta
Muitos quando escutam a palavra “desenvolvedor” logo associam àquele rapaz com as calças abaixo da linha da cintura, MP3 no ouvido, boné na cabeça, que enfeita sua mesa com uma grande quantidade de canecas, bonecos e outros adereços.  
Normalmente ele está sentado em frente ao computador, girando uma caneta na mão, com a outra mexendo no mouse, ou acionando as teclas “alt+tab”, alternando as telas de uma ferramenta de desenvolvimento, para o Facebook, o Twiter  ou Google, com o objetivo de caçar uma solução para algum bug na aplicação que está desenvolvendo. 

Atualmente as atividades e os perfis dos profissionais de desenvolvimento de sistemas encontrados nas fábricas de software são bem diferentes dos primórdios da carreira. O organograma hoje é povoado por analistas de requisitos, analistas de testes, arquitetos, web designer, analista de homologação e, claro, desenvolvedores. Sem contar os muitos outros perfis que aparecem todos os dias.
Há poucas décadas, os analistas de sistemas eram os responsáveis por praticamente todo o ciclo do desenvolvimento de uma aplicação. Atuavam, em sua maioria, com plataforma main frame, possuíam uma maturidade profissional e pessoal maior do que a dos atuais desenvolvedores, além de um conhecimento tecnológico mais generalista. Não é raro encontrar saudosistas ecoando que, nesta época, a qualidade dos produtos eram superiores e entregues no prazo. 
As mudanças dos perfis nos organogramas são tão rápidas quanto o avanço da tecnologia. Assim, da mesma maneira que aparecem novidades tecnológicas enterrando as antigas, importantes carreiras já foram extintas. Algumas, inclusive, que já tiveram grande destaque, como digitadores e operadores. 
Curiosamente, diferente de outros tempos, o aparecimento de tribos profissionais com tendências extremistas por uma tecnologia tem sido característica do perfil do novo desenvolvedor. Os devotos do JAVA pregam por horas as vantagens sobre seu concorrente .NET e seguidores do SQL discursam que o ORACLE está ultrapassado.
As alterações nas atitudes do novo desenvolvedor trazem graves consequências futuras. Mudar constantemente de empresa para ganhar mais parece uma decisão correta, porém gera sequelas em longo prazo: cria falta de identidade corporativa e reduz o tempo de vida do profissional. 
Para baratear seus custos, as consultorias (atualmente as grandes solicitantes de desenvolvedores) dispensam os desenvolvedores mais experientes e caros, e enchem seus projetos de juniores. Elas acreditam que com muita gente barata é possível entregar projetos, no mesmo tempo e com a mesma qualidade, economizando dinheiro.
A comoditização das aplicações que facilita muito a vida dos usuários reduziu o mercado dos desenvolvedores. Criar uma página WEB com loja virtual não é mais um trabalho para um grande especialista. Diversos provedores disponibilizam ferramentas que auxiliam até os mais leigos a criar e publicar a sua. 
A postura das empresas internacionais - que preferem adquirir soluções de software de corporações com capilaridade mundial garantindo atualização e estabilidade -, ainda não aportou em terras brasileiras. Aqui ainda se discute sobre a importância do domínio do código fonte em detrimento de ficar nas mãos de uma grande corporação internacional.
A projeção para daqui alguns anos é encontrar o pessoal do main frame com os cabelos mais brancos que hoje pilotando seu velho e bom COBOL; as soluções de softwares empresariais dos fabricantes internacionais, mais robustas e confiáveis dominando o mercado, e uma turma de desenvolvedores em discussões infindáveis sobre o uso de uma determinada tecnologia. 
O fato é que a cada dia geramos mais linhas de códigos para mais dispositivos diferentes; novas linguagens, novas soluções e, claro, novos milionários. Obviamente este não é um ciclo infinito e estará sempre em constante mutação. 
Se o profissional que desenvolvia um site no início do milênio aparecesse para trabalhar nas empresas hoje, muito dificilmente conseguiria utilizar seu conhecimento para as soluções demandadas atualmente. E fica claro que os conhecedores das soluções atuais pouco (ou quase nada) terão valor sem aprender as novas tecnologias que estão batendo à porta. 
Se o perfil do analista de sistemas dominante há décadas foi extinto, dá para acreditar que os modelos atuais de carreira também sofrerão mutações e aperfeiçoamento. O importante é não entrar na “piração” de ter de aprender tudo a todo momento, muito menos achar que aquilo que conhece será eterno.
O profissional que tem seu foco único no desenvolvimento de linha de código, sem uma visão ampla da solução e dos sistemas, com certeza, em não muito tempo, será peça de museu.

O futuro do 'Suporte técnico'
A carreira que no passado tinha grande importância deve desaparecer
É impossível planejar o futuro sem entender o passado. Olhar para trás não é saudosismo. Só é possível entender a situação atual, seja na carreira, na sociedade ou na política quando analisa-se a história, sua evolução e os caminhos que a levaram aos dias de hoje.
Olhar para frente sem entender o passado não é planejar; é simplesmente um exercício de futurologia sem fundamentos. Para planejar o futuro é preciso mais. É necessário somar o conhecimento do passado com as tendências e evoluções possíveis e, assim, tem-se uma visão de como deverá se comportar o futuro.
O objetivo aqui não é mostrar o caminho, é analisar as possibilidades e o que deverá acontecer com a carreira de 'Suporte técnico'. Esta é uma função que há muito tempo  está nos organogramas das empresas, mas que já sofreu (e ainda sofre, quase que diariamente) diversas mutações. E que deverá, em não mais de 10 anos, desaparecer.
Quando a carreira nasceu, a tecnologia engatinhava e, diferente do que vivemos hoje, momento em que tudo pode ser resolvido pela tecnologia utilizando-se software, os profissionais que detinham o conhecimento do hardware tinham uma importância enorme para as corporações.
Sua formação raramente contemplava uma passagem pela universidade, era baseada em um curso de nível médio técnico em eletrônica, com especialização em informática, além de bons fundamentos em mecânica. Este coquetel de competências era o que garantia a empregabilidade.
Em época de softwares limitados e hardwares caríssimos (e de difícil operação), o desafio era conseguir retirar o melhor de seu processamento alongando ao máximo sua vida útil. Era muito comum comprar um equipamento e agregarem-se a ele novos modelos de processadores memórias e disco.
A comoditização do hardware, a simplificação na operação dos softwares e a enorme redução dos custos nos equipamentos, provocou uma revolução no perfil do profissional que faz o suporte técnico nos dias de hoje. Passou de alguém que era um profundo conhecedor de eletrônica digital e mecânica para um especialista em software básico e uma infindável quantidade de ferramentas todas baseadas em software.
A maior mudança não foi no conhecimento e sim no status da carreira e sua remuneração. Antigamente, ser um suporte técnico garantia um status e uma remuneração importante na carreira do profissional; hoje é apenas o primeiro degrau na longa carreira em uma das verticais de conhecimento em TI.
A única coisa que parece a mesma é o seu modus operandi: ainda encontramos profissionais atuando de maneira muito parecida aos de antigamente, ou seja, indo até o cliente para solucionar os problemas in loco.
O fato é que até isso mudou. Antes, o técnico passava horas mexendo nos equipamentos, trocando placas, soldando componentes e utilizando todo o seu conhecimento para restabelecer o funcionamento dos equipamentos. Hoje ele só vai até o equipamento em casos extremos, quando o acesso remoto não é possível ou a substituição da máquina é inevitável.
A conclusão parece óbvia: em um tempo não muito distante, e impulsionado pelo home office e pelo em bring and owner device (BYOD), a carreira do suporte técnico, que também já foi conhecida como técnico de campo ou field service, deve desaparecer.
TI era conhecimento de poucos. Atualmente faz parte do entendimento de muitos. As necessidades de suporte mudaram e, em pouco tempo, deverão se limitar a situações como configurar um sistema ou pedir autorização de acesso.
A boa notícia (que deve tirar o desespero de muita gente) é que a extinção da carreira não deve acontecer nas próximas semanas em terras brasilis. Mas, quando olhamos para fora das fronteiras tupiniquins, percebemos que a tendência é cada dia mais crescente e inevitável. E a saída não é o desespero e sim o planejamento.
A pergunta a ser respondida é: qual pode ser o próximo passo para alguém que hoje é suporte técnico e tem convicção que gosta de infraestrutura e não quer mudar de carreira?
Uma alternativa interessante e coerente é dar o próximo passo no sentido vertical da carreira deixando a base da pirâmide onde o seu cliente é o usuário final e migrar, adquirindo conhecimento, para responder as necessidades das corporações.
A tecnologia esta a cada dia mais enraizada nos negócios das empresas. Sem ela torna-se impossível reduzir os custos (extremamente necessário em épocas de crise) e aumentar a competitividade (em épocas de bonança).
Conhecer soluções corporativas de alto desempenho e complexidade que aproximam o negócio a TI é o grande diferencial esperado para os profissionais de TI do futuro. Sem dúvida, aí está uma excelente oportunidade para quem deseja manter-se atualizado, motivado e, principalmente, empregado.

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